Fonte, cujo texto serve como complemento ao meu.
Dificilmente alguém gosta de receber críticas. Afinal, estão apontando defeitos em algo que você fez, algo que você expressa, ou em você mesmo. E embora eu tenha uma cabeça aberta pra muita coisa e seja um cara tranqüilo e gente-boa (não que vocês precisem acreditar), sou também relativamente crítico. Natural, portanto, que muita gente não goste de mim, inclusive porque muitas vezes sou sarcástico mesmo, ou uso palavras que eventualmente podem ser consideradas rudes. Vou me deter no meu texto a críticas feitas a trabalhos feitos por outrem, ou idéias expressadas, sem entrar na crítica com relação à pessoa em si.
As pessoas gostam muito de enxergar crítica construtiva como aquela que, antes de tudo, reconhece o esforço do autor na concepção do trabalho, ou que respeita a idéia do outro, para aí sim apontar os erros em sua obra/idéia, o porquê desses erros e como corrigi-los; sempre, porém, repito, exaltando um ou mais aspectos positivos no que está sendo criticado. Eu não vejo assim; ao menos com relação a reconhecer isso ou aquilo como louvável. Talvez eu me sinta compelido a agir dessa maneira com relação a quem eu já conheço e já sei como lidar, ou quando há uma situação de subordinação entre as partes envolvidas, mas não tenho obrigação nenhuma sobre isso quanto a um qualquer, ou alguém que simplesmente conheço superficialmente, que dá sua cara à tapa para ter seu trabalho analisado ou joga sua idéia numa discussão.
O que eu quero dizer é que numa crítica construtiva, minha obrigação é simplesmente dizer que, o quê e por que tá errado, e mostrar como corrigir, possíveis caminhos pelos quais ele pode fazer melhor, ou uma idéia mais coerente. Esse é o cerne de uma crítica construtiva; o resto é enfeite e vai da personalidade e da vivência de cada um. E é justamente no que é enfeite, no que é dispensável, que as coisas pegam.
Como eu disse antes, muita gente (principalmente em fóruns na internet) não gosta de mim porque às vezes uso palavras rudes ou sou sarcástico (eventualmente, ajo dessa maneira só pra ver o circo pegar fogo mesmo, já que é divertido ver pessoas levando a sério algo que muitas vezes não precisa ser tomado como tal). Se eu vir um trabalho que é uma merda, eu digo que é uma merda mesmo. Se eu vir uma idéia de jerico, digo que é uma idéia de jerico. A questão é o motivo de, muitas vezes eu aparentar ser rude (fora a trollagem citada anteriormente). Digo que é uma questão de ego. Não meu - ou talvez seja meu também - mas de quem recebe a crítica.
Às vezes eu também gosto de ver o circo pegar fogo.
Naturalmente, as pessoas não querem ser feridas. Daí, utilizam-se de toda e qualquer proteção de que disponham para não se machucarem, ou criam uma barreira. Psicologicamente, essa proteção é o ego, uma estrutura psíquica essencial para a saúde mental do indivíduo. Porém, essa proteção muitas vezes acaba se endurecendo excessivamente, passando a atuar negativamente sobre o indivíduo e no sentido de se auto-alimentar, para obter o que deseja e se fortalecer mais e mais (existe um anime – animação japonesa - que trata muito bem dessa questão: “Neon Genesis Evangelion”; recomendo).
O que nos traz de volta à crítica: uma pessoa com esse perfil, talvez por estar acostumada a sempre receber elogios e mimos, quer que sua obra seja aplaudida de qualquer jeito, quer que sua idéia seja aprovada incontestavelmente; como se diz popularmente, quer ter seu ego massageado. Se ela recebe críticas, tende a desconsiderá-las, e passa a aumentar o muro (ego) em volta de si, para não ser atingido. Se você tenta ultrapassar esse muro de alguma maneira, ela (a pessoa) o aumenta ainda mais e te impede de chegar ao outro lado. Já que ela não quer que o outro ultrapasse a barreira por bem, só existe uma maneira de mostrar a real: derrubando o muro! E só se derruba muro na porrada, no chute, com escavadeira, com dinamite. E mesmo assim, muitas vezes não funciona. Daí, a pessoa, ao invés de pegar o que realmente importa da crítica, ela se concentra no que é banal, dispensável e inútil: “ah, ele xingou meu trabalho, ele disse que minha idéia é uma bosta, disse que eu falei uma besteira imensa, disse que meu desenho parece feito por uma criança catarrenta de 3 anos de idade que mal sabe segurar um lápis, disse que minha página é pobre, mimimi, bububu, nhenhenhe”. E às vezes chega até a atacar pessoalmente o crítico, dizer que ele é arrogante, mal-amado, frustrado, e por aí vai.
Nem sempre sua voz vai ser ouvida do outro lado. Fonte.
Ou seja, ele não quer melhorar, quer simplesmente ser o maioral. Se quisesse melhorar, ignorava tudo o que fosse dispensável e se concentrava no que o crítico tinha a dizer de sua obra/idéia. Ele xingou-a (a obra ou idéia)? Foda-se! Esqueça isso, é criancice preocupar-se com essa besteira (desconsiderando aqui um eventual estado de espírito já fragilizado, como acontece, muitas vezes, em defesas de TCCs, Dissertações ou Teses na Universidade). Veja o que a crítica dele tem a dizer! Se ele mostrou o erro e disse como melhorar, É ISSO que você deve pegar (se o crítico não fez isso, ou ainda atacou a pessoa do autor, aí sim temos uma crítica destrutiva), independente do fato de ter usado palavras rudes! Preocupar-se porque o crítico falou palavrão ou que ele não reconheceu seu esforço é coisa de criança (mesmo porque esforçar-se é obrigação, e crítico não tem que falar o óbvio, tem que falar O QUE, MUITAS VEZES, NÃO É ÓBVIO).
O problema, eu imagino, é que muita gente acha que suas obras/idéias, na verdade, são elas mesmas - e fico pensando se isso talvez tenha alguma relação com os dois primeiros estágios (a saber: sensório-motor e pré-operatório) dos quatro definidos por Jean Piaget para o desenvolvimento infantil. Daí, tomam críticas a elas como críticas as suas pessoas. Eu costumo dizer que pessoas devem ser respeitadas; idéias, não. Por isso, acho potencialmente perigoso alguém que se confunde com suas idéias.
Claro que nós sempre tendemos a nos sentirmos mal com críticas e xingamentos ao que fazemos, pessoas tendem a ser egocêntricas; porém, é a atitude diante de tais adversidades que vai mostrar o quão maduro alguém é. Se você pega o que é importante e descarta o que é desnecessário, é porque você realmente tá procurando chegar na frente como alguém que realmente merece o pódio. Se você fica de mimimi porque o cara falou palavrão, sinto muito, mas tá precisando é levar umas boas porradas mesmo. Às vezes, ser amigo não é te dar tapinhas nas costas, mas uma bela de uma voadora nos peitos. Quem sabe assim você acorda.
Em certas ocasiões, baixá-lo se faz necessário. Fonte.
Adendo: Talvez eu não tenha me expressado claramente em meu texto (ok, eu sou ruim mesmo escrevendo textos), mas ao contrário do que parece estar sendo entendido, eu não estou dizendo que uma crítica, para ser construtiva, deve vir acompanhada de sopapos e porradas. Não. Acredito que uma crítica construtiva simplesmente deve apontar erros e soluções para corrigi-las. Elogios são bem-vindos, é lógico, eles também podem ter função motivacional. Mas chutes e rasteiras, embora sejam desagradáveis, não tornam a crítica destrutiva, como muitos gostam de pensar, e muitas vezes são sim necessários. É nesse ponto que meu texto toca, e que a reação de quem recebe este tipo de crítica deve ser a de simplesmente ignorar o palavreado e aceitar a crítica, ou rebatê-la, se você tiver seus argumentos. Ficar reclamando da maneira que o crítico se expressa não vai servir de nada.