Bohemian Rhapsody

February 20, 2011

2 anos de blog

Fonte.

Este humilde recinto completa hoje 2 anos de idade. Acho que é talvez o maior tempo em que já permaneci com um blog.

Até agora, foram 85 postagens seguidas de 137 comentários. Dos assuntos mais variados, desde um dia na minha vida até fotos de Buceta, passando por resenhas de filmes ou notícias do mundo pop.

Agora, passei a trilhar um novo caminho, e isso de certa maneira influenciará este blog, seja nos assuntos abordados, seja na frequência de postagens. Como um agora estudante de Arquitetura e Urbanismo, novos horizontes se abrirão para mim e com certeza serão refletidos na essência deste espaço.

Se querem saber como isso começou, aqui está nosso primeiro post.

Mais uma vez, obrigado a todos os que visitam este meu espaço, independente de comentarem ou não meus posts.

Fonte.

January 21, 2011

EPIC WIN da Magali!

Filed under: Geral, Curiosidades, Vídeo

Vejam essa Magali simplesmente ESCULACHANDO qualquer estratégia de marketing (que eu conheça) já aplicada em termos de propaganda de rua! Ela dá um show ao som do remix de "California Dreamin’" em frente a uma loja no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro. Simplesmente GENIAL E BASTANTE DIVERTIDO!!

Melhor momento aos 4min e 10s

Uma Magali dessas aqui no Centro de Maceió seria bem melhor que aquele Roberto Carlos fajuto.

Ah, ela tem twitter e comunidade no Orkut.

January 10, 2011

Sobre Críticas


Fonte, cujo texto serve como complemento ao meu.

Dificilmente alguém gosta de receber críticas. Afinal, estão apontando defeitos em algo que você fez, algo que você expressa, ou em você mesmo. E embora eu tenha uma cabeça aberta pra muita coisa e seja um cara tranqüilo e gente-boa (não que vocês precisem acreditar), sou também relativamente crítico. Natural, portanto, que muita gente não goste de mim, inclusive porque muitas vezes sou sarcástico mesmo, ou uso palavras que eventualmente podem ser consideradas rudes. Vou me deter no meu texto a críticas feitas a trabalhos feitos por outrem, ou idéias expressadas, sem entrar na crítica com relação à pessoa em si.

As pessoas gostam muito de enxergar crítica construtiva como aquela que, antes de tudo, reconhece o esforço do autor na concepção do trabalho, ou que respeita a idéia do outro, para aí sim apontar os erros em sua obra/idéia, o porquê desses erros e como corrigi-los; sempre, porém, repito, exaltando um ou mais aspectos positivos no que está sendo criticado. Eu não vejo assim; ao menos com relação a reconhecer isso ou aquilo como louvável. Talvez eu me sinta compelido a agir dessa maneira com relação a quem eu já conheço e já sei como lidar,  ou quando há uma situação de subordinação entre as partes envolvidas, mas não tenho obrigação nenhuma sobre isso quanto a um qualquer, ou alguém que simplesmente conheço superficialmente, que dá sua cara à tapa para ter seu trabalho analisado ou joga sua idéia numa discussão.

O que eu quero dizer é que numa crítica construtiva, minha obrigação é simplesmente dizer que, o quê e por que tá errado, e mostrar como corrigir, possíveis caminhos pelos quais ele pode fazer melhor, ou uma idéia mais coerente. Esse é o cerne de uma crítica construtiva; o resto é enfeite e vai da personalidade e da vivência de cada um. E é justamente no que é enfeite, no que é dispensável, que as coisas pegam.

Como eu disse antes, muita gente (principalmente em fóruns na internet) não gosta de mim porque às vezes uso palavras rudes ou sou sarcástico (eventualmente, ajo dessa maneira só pra ver o circo pegar fogo mesmo, já que é divertido ver pessoas levando a sério algo que muitas vezes não precisa ser tomado como tal). Se eu vir um trabalho que é uma merda, eu digo que é uma merda mesmo. Se eu vir uma idéia de jerico, digo que é uma idéia de jerico. A questão é o motivo de, muitas vezes eu aparentar ser rude (fora a trollagem citada anteriormente). Digo que é uma questão de ego. Não meu - ou talvez seja meu também - mas de quem recebe a crítica.

Às vezes eu também gosto de ver o circo pegar fogo.

Naturalmente, as pessoas não querem ser feridas. Daí, utilizam-se de toda e qualquer proteção de que disponham para não se machucarem, ou criam uma barreira. Psicologicamente, essa proteção é o ego, uma estrutura psíquica essencial para a saúde mental do indivíduo. Porém, essa proteção muitas vezes acaba se endurecendo excessivamente, passando a atuar negativamente sobre o indivíduo e no sentido de se auto-alimentar, para obter o que deseja e se fortalecer mais e mais (existe um anime – animação japonesa - que trata muito bem dessa questão: “Neon Genesis Evangelion”; recomendo).

O que nos traz de volta à crítica: uma pessoa com esse perfil, talvez por estar acostumada a sempre receber elogios e mimos, quer que sua obra seja aplaudida de qualquer jeito, quer que sua idéia seja aprovada incontestavelmente; como se diz popularmente, quer ter seu ego massageado. Se ela recebe críticas, tende a desconsiderá-las, e passa a aumentar o muro (ego) em volta de si, para não ser atingido. Se você tenta ultrapassar esse muro de alguma maneira, ela (a pessoa) o aumenta ainda mais e te impede de chegar ao outro lado. Já que ela não quer que o outro ultrapasse a barreira por bem, só existe uma maneira de mostrar a real: derrubando o muro! E só se derruba muro na porrada, no chute, com escavadeira, com dinamite. E mesmo assim, muitas vezes não funciona. Daí, a pessoa, ao invés de pegar o que realmente importa da crítica, ela se concentra no que é banal, dispensável e inútil: “ah, ele xingou meu trabalho, ele disse que minha idéia é uma bosta, disse que eu falei uma besteira imensa, disse que meu desenho parece feito por uma criança catarrenta de 3 anos de idade que mal sabe segurar um lápis, disse que minha página é pobre, mimimi, bububu, nhenhenhe”. E às vezes chega até a atacar pessoalmente o crítico, dizer que ele é arrogante, mal-amado, frustrado, e por aí vai.

Nem sempre sua voz vai ser ouvida do outro lado. Fonte.

Ou seja, ele não quer melhorar, quer simplesmente ser o maioral. Se quisesse melhorar, ignorava tudo o que fosse dispensável e se concentrava no que o crítico tinha a dizer de sua obra/idéia. Ele xingou-a (a obra ou idéia)? Foda-se! Esqueça isso, é criancice preocupar-se com essa besteira (desconsiderando aqui um eventual estado de espírito já fragilizado, como acontece, muitas vezes, em defesas de TCCs, Dissertações ou Teses na Universidade). Veja o que a crítica dele tem a dizer! Se ele mostrou o erro e disse como melhorar, É ISSO que você deve pegar (se o crítico não fez isso, ou ainda atacou a pessoa do autor, aí sim temos uma crítica destrutiva), independente do fato de ter usado palavras rudes! Preocupar-se porque o crítico falou palavrão ou que ele não reconheceu seu esforço é coisa de criança (mesmo porque esforçar-se é obrigação, e crítico não tem que falar o óbvio, tem que falar O QUE, MUITAS VEZES, NÃO É ÓBVIO).

O problema, eu imagino, é que muita gente acha que suas obras/idéias, na verdade, são elas mesmas - e fico pensando se isso talvez tenha alguma relação com os dois primeiros estágios (a saber: sensório-motor e pré-operatório) dos quatro definidos por Jean Piaget para o desenvolvimento infantil. Daí, tomam críticas a elas como críticas as suas pessoas. Eu costumo dizer que pessoas devem ser respeitadas; idéias, não. Por isso, acho potencialmente perigoso alguém que se confunde com suas idéias.

Claro que nós sempre tendemos a nos sentirmos mal com críticas e xingamentos ao que fazemos, pessoas tendem a ser egocêntricas; porém, é a atitude diante de tais adversidades que vai mostrar o quão maduro alguém é. Se você pega o que é importante e descarta o que é desnecessário, é porque você realmente tá procurando chegar na frente como alguém que realmente merece o pódio. Se você fica de mimimi porque o cara falou palavrão, sinto muito, mas tá precisando é levar umas boas porradas mesmo. Às vezes, ser amigo não é te dar tapinhas nas costas, mas uma bela de uma voadora nos peitos. Quem sabe assim você acorda.

Em certas ocasiões, baixá-lo se faz necessário. Fonte.

Adendo: Talvez eu não tenha me expressado claramente em meu texto (ok, eu sou ruim mesmo escrevendo textos), mas ao contrário do que parece estar sendo entendido, eu não estou dizendo que uma crítica, para ser construtiva, deve vir acompanhada de sopapos e porradas. Não. Acredito que uma crítica construtiva simplesmente deve apontar erros e soluções para corrigi-las. Elogios são bem-vindos, é lógico, eles também podem ter função motivacional. Mas chutes e rasteiras, embora sejam desagradáveis, não tornam a crítica destrutiva, como muitos gostam de pensar, e muitas vezes são sim necessários. É nesse ponto que meu texto toca, e que a reação de quem recebe este tipo de crítica deve ser a de simplesmente ignorar o palavreado e aceitar a crítica, ou rebatê-la, se você tiver seus argumentos. Ficar reclamando da maneira que o crítico se expressa não vai servir de nada.

January 8, 2011

A anti-fantasia de Martin Scorsese

Filed under: Cinema, Arte


 

Martin Scorsese é um cineasta das ruas. Estas são o palco da encenação de seus filmes, direta ou indiretamente; mesmo no glamour  e nas luzes dos cassinos de Las Vegas ou na vida de um ícone religioso, o espírito das ruas está lá. Longe da fantasia e da idealização, sua linguagem é suja, feia, rasteira, impactante, mesmo que revestida de pompa. Um terreno onde, muitas vezes, os personagens vivem em eterno conflito entre os pecados urbanos e as virtudes espirituais. Talvez um reflexo desse ambiente.

Depois de Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar e Tim Burton, chega a vez de enveredar no universo desse respeitadíssimo cineasta norte-americano, na 4ª oficina de cinema promovida pelo Centro Cultural SESI de Maceió. Serão três dias promovendo discussões e análises sobre as obras de Martin Scorsese, que dirigiu clássicos como Taxi Driver, Touro Indomável e Os Bons Companheiros.

A oficina ocorrerá nos dias 13, 14 e 15/01, das 10h às 12h, no Centro Cultural SESI, mais uma vez sob coordenação dos jornalistas e críticos de cinema Ricardo Brandão e Ranieri Lessa. As inscrições custam R$ 30,00 e vão de 07 até 13/01, no local.

Mais no site Filmologia.

December 24, 2010

Fim de Ano

Filed under: Geral, Diário de bordo

Deixo vocês com uma mensagem maravilhosa publicada no site Bule Voador que expressa perfeitamente o que eu gostaria de dizer a todos. Você pode ver a publicação original neste link, mas como ela foi concebida para ser de livre distribuição, posto o texto na íntegra aqui:

 

Uma Mensagem Secular de Fim de Ano

Autores: Pedro Almeida, Eli Vieira e Alexandre Marcati

 

Há mais de cinco mil anos, muito antes de um homem em especial ter nascido no oriente médio, o fim de dezembro é comemorado como um rito de passagem e renascimento por povos em todo o mundo.

O solstício de inverno, no norte, era celebrado há milênios pelas mais diferentes tribos, nações, culturas e religiões que a diversidade da natureza humana já produziu. Uma festa que sempre uniu famílias, amigos e afetos, e tem sido comemorada desde a alvorada da civilização no Velho Mundo, para nos lembrar que, mais uma vez, o ano se finda e tivemos a oportunidade de aproveitá-lo da melhor forma que nos é possível.

Seja nas comemorações pagãs do renascimento das divindades solares – Mitra para os hindus, Horus para os egípcios, Sol Invictus para os romanos, entre outros – ou nas manifestações que representavam a iluminação de Buda pela passagem do solstício, ou até mesmo na adaptação cristã mais recente para a data, o Natal de 25 de dezembro, o fim de ano é uma data que conjuga uma imensa bagagem não somente histórica, mas também humana.

É hora de repensar o futuro que queremos e planejamos, tomando como condição de contorno o passado, o ano que termina; de pesar positivos e negativos, recolher-se à admiração do fenômeno que é a vida e celebrar que o mundo de hoje é melhor que o mundo de ontem, ou, se não for, que pelo menos tentamos fazê-lo desta forma, e não desistiremos disto, pois é da natureza humana evoluir.

Por isto, considere o que há de bom e o que há de ruim na sua vida. Reconheça que as coisas boas são fruto de trabalho e dedicação e que as coisas ruins podem, sim, ser melhoradas, principalmente com mais trabalho e dedicação.

Lembre-se de que errou, mas que também acertou, e que se arrependeu dos erros. Tenha certeza de que não há mal nato em ser humano, pois não poderia ser diferente, e que a culpa por si só não te previne de errar novamente. Trabalhe para que os erros sejam corrigidos, e não lamentados.

Pratique a empatia: ponha-se no lugar do próximo, e não faça aos outros aquilo que não quer para si. Seja solidário e gentil, companheiro e compreensivo. Perdoe os erros, quando honestamente reconhecidos.

Seja tolerante: aprenda a compartilhar as igualdades com alegria, mas também a respeitar e celebrar as diferenças inerentes dos seres humanos, que tornam cada um de nós único e insubstituível.

Questione o senso comum, diariamente: das tradições, superstições e ideias mais tenazes aos preconceitos mais arraigados, estando disposto a se levantar contra as incoerências e injustiças. Crie ideias próprias, lógicas, saudáveis e coerentes. Mas esteja também aberto a discordarem de você, valorizando a discussão, e não o conflito.

Aplique a racionalidade, a faculdade que mais lhe diferencia dos demais animais, para tomar as atitudes e posições mais sensatas, e não aquelas baseadas única e exclusivamente em dogmas e premissas imutáveis. Modele sua visão do mundo de acordo com os fatos, e não os fatos de acordo com sua visão de mundo.

Não deixe lugar para o egoísmo e mesquinharia intelectual. Há males terrenos piores que qualquer danação eterna, pois prejudicam seu próximo, aqui e agora. Antes de sair pedindo por vida nova, prometa a si mesmo mudanças para melhorar o mundo em que vivemos e busque a convivência pacífica entre os seres, humanos ou não. Respeite não somente o próximo, mas a Natureza, pois dela viemos e a ela retornaremos.

Aprenda a conviver com a incerteza e a dúvida saudável. Pergunte-se se verdades e respostas absolutas são mesmo o caminho para achar sentido na vida. Nada de sobrenatural daria à sua vida um sentido mais amplo e concreto do que o significado que você mesmo dá a ela, em todos os dias em que realiza algo que lhe dá prazer ou em que compartilha momentos com quem ama. Aproveite cada momento como o último, responsavelmente, pois nada lhe garante que exista algo além do que temos aqui.

Descubra que seus credos são pontos de vista dignos de espaço tanto quanto os credos de outrem, ou mesmo tanto quanto a descrença. Portanto, neste Natal, não importa no que você acredita, acredite em ligar para aquele velho amigo; acredite na boa vontade independente de crenças; acredite em não descer ao nível daqueles que quer ver punidos; acredite na cooperação por um futuro melhor; acredite no amor em qualquer uma de suas formas.

E acredite na liberdade de acreditar, porque somente tendo livre acesso a qualquer tipo de crença é que você terá a oportunidade de escolher, dentre todas as possíveis, aquelas que trarão soluções para a sua vida e a vida de seus semelhantes – pazes e amores, e que sejam os melhores possíveis.

 

 Boas Festas a todos. Nos vemos em 2011.

December 9, 2010

Pássaros nerds, ecossistemas e propriedades emergentes

Filed under: Ciência, Curiosidades


Essa imagem rodou a net nos últimos dois dias: um grupo de estorninhos botando um predador (algum falconiforme) pra correr voar, numa formação que lembra o icônico Pac-Man. É bonita, é engraçada, é surpreendente. Guardadas as devidas proporções, é igual à água.

??????????????????

Aí você me pergunta o que diabos tem a ver a água com um bando de pássaros jogadores de vídeo-games? Para entender a relação entre ambos, bem como qual a relação disso com outras coisas surpreendentes na Natureza, é preciso entender o que são propriedades emergentes.

Uma propriedade emergente é definida como aquela que surge num sistema a partir de um determinado nível, que não poderia ser prevista analisando-se isoladamente as partes constituintes desse sistema. Trata-se de um fenômeno resultante de múltiplas interações simples e não-lineares, aparentemente caóticas, entre os elementos do sistema, resultando num padrão de comportamento complexo. Ou seja, uma propriedade emergente não é uma propriedade do elemento do sistema, mas uma propriedade do sistema em si, que se torna uma entidade com relação a essa propriedade. Ou, como se costuma dizer para o fenômeno da emergência, “o todo é mais do que a soma das partes.” Por ser resultado de interações, a propriedade emergente não demanda um controle central. Não há um elemento no sistema que coordena os outros elementos e determina o aparecimento da propriedade: diz-se que a emergência é descentralizada e se auto-regula no âmbito das interações entre os componentes do todo.

Por mais incrível e “místico” que possa parecer, o fenômeno da emergência é algo bastante comum ao nosso redor, presente nos mais diversos âmbitos da vida, desde sistemas físicos até o mercado de ações, passando pela biologia, psicologia, artes, redes sociais, computação, entre outros. A própria vida é uma propriedade emergente, mas isso é assunto para outro post. O exemplo clássico de fenômeno emergente é a água, que eu mencionei no começo do texto. Todos nós sabemos que a molécula de água é composta de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Porém, também sabemos que as propriedades da água são completamente diferentes das propriedades destes dois elementos; mesmo conhecendo os comportamentos químicos e físicos do hidrogênio e do oxigênio, seria impossível, a partir deles, prever o comportamento físico-químico da água.

"Madame Monet and Child", de Claude Monet. Não há nada além de várias pinceladas  rápidas. São as interações entre essas pinceladas que formam a imagem da tela. Ela não faz sentido se você não pensar na imagem como um todo. Fonte.

E aí voltamos para os estorninhos nerds da imagem inicial. O comportamento de bando dos pássaros é um exemplo de propriedade emergente. Um pássaro sozinho não vai pensar num formato específico quando estiver em bando, mas as várias interações de um grande grupo de pássaros podem, a partir de um nível crítico, fazer com que o bando se comporte como uma unidade e exiba um padrão de comportamento impensável se você considerar um pássaro sozinho ou um grupo insuficiente.

Outro exemplo impressionante é um cardume. O comportamento dos peixes em bando como uma unidade é algo extraordinário, principalmente se você pensar que certos cardumes podem atingir mais de 1 km de extensão.

Cercou, cercou! Fonte.

Podemos pensar também numa colônia de formigas. Embora tenhamos uma rainha, não é ela que define o comportamento do formigueiro, mas sim as interações químicas entre todos os indivíduos que integram a colônia. Cada formiga reage a partir dos sinais químicos, deixados nos arredores por outras formigas, e da codificação de seu genoma. Dessas interações, resultam comportamentos complexos que só são possíveis se pensarmos no formigueiro como uma unidade autônoma, não como um mero agrupamento de formigas.

Como podemos ver, a interação assume papel fundamental no âmbito da emergência. Ora, por definição, Ecossistemas são casos notáveis de propriedades emergentes. Usarei dois exemplos fabulosos: A Floresta Amazônica e o Recife de Coral.

Uma das primeiras coisas que normalmente ocorrem às pessoas, ao observarem a exuberância da Floresta Amazônica, é pensar que seu solo é bastante rico, caso contrário não seria possível uma floresta tão densa e exuberante se desenvolver. Ledo engano. O solo dessa região é arenoso e pobre em nutrientes. O que mantém a riqueza e a diversidade da floresta é a própria floresta. A ciclagem de nutrientes entre os elementos do Ecossistema é extremamente rápida, e isso só é possível graças às características das múltiplas interações existentes entre esses elementos. É essa rápida ciclagem, entre outros fatores, que permite que a Floresta Amazônica possa manter-se, mesmo em um solo pobre: ela aproveita o fluxo de matéria e energia com um mínimo de perdas (clímax) e permite não só sua própria manutenção, como também a de mini-ecossistemas dentro do ecossistema maior: a floresta se comporta como uma unidade, não como um mero conjunto. Retirando a floresta, retiramos a capacidade produtiva daquela área.

Algo semelhante ocorre num Recife de Coral. O Recife se desenvolve em águas mornas, pobres em nutrientes. No entanto, é um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Isso graças à complexa estrutura do sistema, que permite que os poucos nutrientes sejam rapidamente reciclados e mantenham-se circulando entre os componentes do Recife, elevando exponencialmente a capacidade produtiva da área e permitindo a biodiversidade característica desses locais. São as frágeis interações entre as unidades desse complexo ecossistema que o tornam tão diversificado, fascinante e importante: o Recife de Coral é uma entidade autônoma, não um mero conjunto de rochas e seres marinhos.

Até o que você não pode ver contribui para a beleza, complexidade e importância desse ambiente. Fonte.

O fato é que a existência das propriedades emergentes torna mais complexa a compreensão do funcionamento de determinados sistemas. E, no caso dos Ecossistemas, a importância de se conhecê-los, gerenciá-los adequadamente e preservá-los ganha mais um reforço tendo em mente o conceito de emergência, derivando daí a obrigação de encará-los como unidades integradas, onde são as múltiplas interações entre seus elementos que definem sua identidade e seu papel. Um Ecossistema só faz sentido se o pensarmos como uma entidade, tal qual a água, o bando de pássaros, o cardume ou o formigueiro; alterar impensadamente essas interações pode gerar uma reação em cadeia com consequências imprevisíveis e surpreendentes. Tal qual ver um bando de pássaros formar um Pac-Man gigante para assustar um predador. Só que, no caso do Ecossistema, o resultado provavelmente não será engraçado ou bonitinho.

December 1, 2010

Nikki Yanofsky e Jazz

Filed under: Música, Vídeo

Momento jabá sem ganhar nada.

 

O nome dessa coisa linda aí em cima é Nicole Yanofsky, ou Nikki Yanofsky. Como eu adoro jazz, foi uma grata surpresa para mim descobrir essa canadense hoje, num vídeo que mostra a moçoila interpretando a música-scat "Air Mail Special", da Ella Fitzgerald, ainda com seus 13 anos. Dá um saque no talento que a garota já demonstrava:



 

Se você assistiu à Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno 2010 (nota: eu não assisti), talvez se lembre dela cantando o hino oficial do Canadá. Eu particularmente me impressionei com o que ela já fazia aos 13 anos, e agora com 16, uma voz limpa e gostosa de se ouvir, me conquistou de vez. Nikki tem dois álbuns na bagagem, um ao vivo e outro onde faz uma homenagem a Ella Fitzgerald. Você pode ouvir algumas músicas dessa coisa linda em seu site. Algumas não são jazz, mas são bacanas de se ouvir. No geral, a garota arrebenta!

November 28, 2010

A Rosa e o Vagabundo

Filed under: Música, Vídeo, Arte

A banda alagoana Palhaço Paranóide surgiu em meados de 2007, um projeto idealizado pelo vocalista Guilherme Di França e reunindo os integrantes da extinta banda Android Monkey, um projeto paralelo do qual o próprio Guilherme também participava, que trazia em seu repertório suas versões de músicas do J-Rock, especialmente aquelas que eram temas de animes. Diferente da Android Monkey, a Palhaço Paranóide queria trilhar caminhos próprios e desenvolver o um trabalho autoral. A banda foi desenvolvendo suas músicas e projetando o que viria a ser a demo e, posteriormente, o primeiro CD da banda. Foi nesse tempo que a banda entrou em contato com o estúdio HZ (na época, estúdio Hoshizora), uma equipe da qual faço parte, que trabalha com quadrinhos e artes visuais em geral (ou pelo menos tá buscando caminhos para tal) aqui em Alagoas. Guilherme gostou do trabalho desenvolvido por nossa equipe e nos contratou para desenvolver as artes relacionadas ao trabalho da Palhaço Paranóide. De lá para cá, houve uma grande evolução, tanto nossa quanto da própria banda. E essa evolução conjunta teve como ápice o 1° clipe da banda, cuja pré-estreia ocorreu na última Segunda-Feira, no Cine Sesi, numa sessão fechada para convidados e imprensa, e foi aplaudido de pé pelos presentes, tamanha a qualidade não só dos arranjos musicais, como do vídeo em si e de todo o aparato visual envolvido na produção, estando o estúdio HZ ligado a este último quesito. No dia seguinte, o vídeo foi liberado no Youtube para todos.

De nossa parte, estamos muito orgulhosos em ter contribuído com a realização desse clipe. E agradecidos pelo fato da banda ter acreditado na qualidade da nossa obra, e por ter feito um trabalho tão belo e tão qualificado em termos artísticos, algo definitivamente não muito valorizado não só aqui em Alagoas, mas no Brasil como um todo. E talvez pelo fato de estarmos ambos meio que numa espécie de contra-mão, tenhamos entrado em sintonia. Parabenizo não só aos que me acompanham no estúdio, mas a todos os outros integrantes da produção do clipe e, principalmente, à banda Palhaço Paranóide. Vocês merecem todos os aplausos que receberam e ainda receberão.

Se você curte um som com a linha melancólica de um Radiohead ou Coldplay associado ao aparato visual de um Teatro Mágico com um toque à la Tim Burton, então deleite-se com o clipe de "A Rosa e o Vagabundo".



 

Além do Myspace, você pode encontrar a banda no Orkut, Facebook ou Twitter.

November 24, 2010

19 anos: foi-se o homem, ficou o mito!

Filed under: Geral, Música, Vídeo

 

Há exatos 19 anos, Farokh Bulsara, ou, como ficou mundialmente conhecido, o mito Freddie Mercury, nos deixava. Um cara que se transformava ao subir em um palco. Imortalizado por sua voz que deixava qualquer um atônito.

Abria a boca e todos se curvavam!

Comecei a admirar Freddie Mercury ainda pequeno, quando o vi não no Queen, mas num vídeo na TV ao lado de Montserrat Caballé, cantando "How Can I Go On" (vai lá ver o vídeo que os caras tiraram o código de incorporação, canalhas!), acho que no Fantástico. Lembro que a fascinação pela voz desse Tanzaniano (é, ele não nasceu na Inglaterra, embora a Tanzânia - Zanzibar, para ser mais específico - fosse uma colônia Britânica na época) foi a mesma que eu tive ao ver Michael Jackson pela primeira vez, fazendo um moonwalker.

Um tempo depois eu tive contato com algumas músicas do Queen, principalmente "Radio Gaga" e "Love of My Life", que tocava em algumas fitas cassetes do meu pai.


Como não se curvar diante disso?!

Anos depois foi que eu comecei a entrar em contato com a discografia do Queen, e passei a admirar cada vez mais Freddie Mercury. Foi aí que descobri músicas como "Don’t Stop Me Now":


Essa música devia ser obrigatória em despertadores! Não tem segunda-feira que resista!

Ou Brighton Rock:


Ou essa, da qual eu tomei o nome emprestado para batizar o meu blog é óbvio que eu não dia deixar essa música de fora!



FODA! Sem mais!!

Um cara que não tinha medo de dizer o que pensava, que se agigantava no palco e não se prendia a rótulos, tal qual o Queen. Um cara que realmente faz falta no mundo da música. Farokh Bulsara foi embora; mas deixou Freddie Mercury para a humanidade, um gênio, um mito, imortal!

Você nunca terá uma dessa. Conforme-se!

November 21, 2010

Os caranguejos que se fodam! Eu quero é emprego!

Filed under: Geral, Ciência


Falar de desenvolvimento econômico e meio ambiente é foda, principalmente para pessoas leigas nas questões ambientais (que não se refere necessariamente a quem não teve acesso à educação formal, já que muitas dessas pessoas têm mais conhecimentos do que um especialista em x ou y) e de como funcionam as conexões entre os fatores envolvidos (ou, mais corretamente, dos fatores que conhecemos, o que deixa a questão ainda mais delicada); porque acaba sempre caindo na questão (verdadeira!) de que é preciso desenvolver a localidade, gerar empregos para uma população na imensa maioria das vezes esquecida pelo poder público, injetar dinheiro na economia, e por aí vai.

Claro que tudo isso precisa ser feito. É um meio de trazer dignidade a essas pessoas em meio a nossa sociedade atual. Eu não sou louco nem eco-chato para afirmar que a natureza deve permanecer intocada, nem preciso ficar com o papo de "abaixo o capitalismo!". Porém, o que precisa ficar claro é que NUNCA vai haver desenvolvimento legítimo passando por cima das questões ambientais. E por um motivo simples: nós somos parte disso, não estamos fora. Pense numa aranha e sua teia: as pessoas acham que são a aranha, que faz a teia sobre a qual vive e captura suas presas das quais irá se alimentar; mas a verdade é que são um fio, conectado aos vários outros fios, da teia organizada pela aranha. Pode parecer um óbvio ululante, mas muita, muita gente não se dá conta disso, inclusive pessoas teoricamente mais esclarecidas.

Foi interessante como eu vi essa idéia que a maioria das pessoas tem do meio ambiente ser destilada durante a recente campanha eleitoral. Muita gente criticava a candidata à presidência Marina Silva por aparentemente privilegiar o meio ambiente, relegando outras importantes questões (educação, saúde, segurança pública, economia…) para um segundo plano. Ora, é uma idéia presente só na cabeça de quem acha que “Eu” é uma coisa, “Meio ambiente” é outra; logo, “Eu” precisa ser dignamente atendido no hospital público, não precisar ter medo de ser assaltado a cada esquina, ter um emprego no qual possa receber um salário digno ou acesso a uma educação de boa qualidade. “Meio ambiente” é… é legal, é bonitinho proteger as plantas e os animais… é, a gente precisa fazer isso, senão eles vão entrar em extinção, o planeta precisa da nossa ajuda, né?

Eu poderia fazer um texto pra vocês enumerando uma série de conseqüências mostrando como um problema ambiental em uma localidade poderia afetar os índices de criminalidade em outra localidade distante (claro que as coisas não são deterministas como podem parecer, mas é um cenário bastante plausível e possível). O negócio é que o meio-ambiente não está incluído na questão da educação, da saúde, da segurança ou da economia: é justo o contrário! Todas essas instâncias passam pela questão social, mas, em última análise (e aqui imagino que muita gente da área de humanas possa me tacar pedradas), o fenômeno social do ser humano é um fato biológico, que foi desenvolvido graças aos processos naturais atrelados à evolução do homem como espécie. Ou seja, os fenômenos sociais do homem, enquanto sujeito que constrói sua história política, geográfica e cultural, na verdade, resultam de sua condição biológica e, portanto, intimamente ligada ao meio ambiente.

O que quero dizer é que meio ambiente não se trata simplesmente de proteger plantinhas e animaizinhos; meio ambiente não é apenas o verde das florestas ou o azul do mar, mas envolve também o cinza dos centros urbanos. Meio ambiente não é somente uma questão externa (não somos a aranha!), mas também interna; envolve também as relações sociais humanas, a dinâmica das cidades, o fluxo do capital, o exercício político; justamente porque, independentemente de todas essas manifestações tão aparentemente humanas (e, por isso, únicas), continuamos sendo animais, primatas, produtos da evolução biológica. Quando se fala de questões ambientais, se fala automaticamente em questões sociais, porque este está integrado naquele (não o contrário, como já disse antes), não estão separados. Eu não posso entender os problemas sociais de um local somente com um olhar “humano” ou “matemático”, eu preciso agregar o olhar “biológico” para ter uma visão mais ampla, compreendendo que o homem não é uma espécie “privilegiada” entre os animais (seja por uma conotação científica ou religiosa), mas é apenas uma espécie (por mais que isso fira certos orgulhos) que está perfeitamente adaptada ao seu “papel” na biosfera, da mesma maneira que um peixe abissal está perfeitamente apto a suportar pressões absurdas sobre seu corpo no fundo dos oceanos. Como tal, se encontra ligado a todos os outros fatores bióticos e abióticos, como o fio da teia de aranha do começo do texto; suas ações geram um feedback por parte do ambiente/sistema; ou, pra dizer de um modo mais simples: quanto maior o impacto da espécie sobre os recursos do ambiente, maior será o efeito da resistência ambiental (com as maneiras mais engenhosas e imprevistas possíveis, sem qualquer conotação finalista aqui). Um ecossistema precisa que todos os seus elementos estejam em equilíbrio dinâmico, de modo que o ecossistema como um todo seja o beneficiado, e não esta ou aquela espécie. Entendendo isso, podemos entender melhor desequilíbrios tão graves na sociedade humana e como isso a afeta negativamente: isso também é meio ambiente.

Então, que venha o desenvolvimento ECOnômico. Porém, esse desenvolvimento só terá uma base sólida se perfeitamente integrado com as questões ambientais, e isso só será possível com uma compreensão maior do que é o meio ambiente e como as relações humanas se encaixam nisso. Caso contrário, o desenvolvimento será apenas um majestoso castelo de cartas, e opiniões tão fora da realidade como  essa continuarão se propagando, explicitamente ou não (o que é pior).

E se você tá pensando que é simples assim como talvez pareça pelo meu texto, pense de novo.

O que já foi dito

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Minz Meyer